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11/11/2025
Os sindicatos que representam os escrivães (Sindepojuc/MT) e os investigadores (Sinpol/MT) da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC/MT) realizaram, nesta segunda-feira (10), uma manifestação em frente à sede da Diretoria-Geral da instituição, em Cuiabá.
O ato reuniu grande número de filiados e marcou um momento histórico de mobilização conjunta das categorias em defesa da reestruturação das carreiras e da valorização profissional na Polícia Civil.
Durante o encontro, ficou deliberado que, caso não haja avanços nas negociações com o governo do Estado, as categorias poderão iniciar uma “Operação Legalidade” — movimento em que os servidores passam a cumprir estritamente o que determina a lei, respeitando a jornada de 40 horas semanais. Atualmente, o modelo de trabalho se estende além desse limite devido ao sistema de “sobreaviso”, que mantém o policial à disposição mesmo nos períodos de folga.
A presidente do Sindepojuc/MT, Cecília Monge, destacou que o movimento foi pacífico e teve como principal objetivo chamar a atenção para a necessidade de uma padronização nacional, conforme estabelece a Lei Orgânica Nacional da Polícia Civil (Lei nº 14.735/2023), que unificou cargos, criou parâmetros nacionais de atuação e estruturou a organização operacional das polícias civis.
“Nós estamos numa movimentação pacífica. A Lei Orgânica da Polícia Civil traz uma padronização em nível nacional, e lutamos para que ela seja implementada de forma justa, com reestruturação das carreiras e reestruturação salarial. Essa é a nossa principal reivindicação: a valorização dos investigadores e escrivães de polícia”, afirmou Cecília.
Ela também comentou sobre o Decreto nº 1.716/2025, que institui a Premiação Anual por Eficiência no serviço público estadual. Segundo a presidente, embora a proposta tenha pontos positivos, o texto atual não contempla adequadamente a categoria.
“O decreto foi criado pelo governador para todas as forças de segurança, mas, no caso da Polícia Civil, ele não abrange todas as funções da carreira. Por exemplo, o trabalho burocrático dos escrivães não foi incluído. Ainda assim, há um prazo de 90 dias para regulamentação, e esperamos que nesse período seja possível chegar a um consenso que contemple toda a categoria”, completou.
O presidente do Sinpol/MT, Gláucio Castañon, ressaltou a importância da união entre os dois sindicatos e reforçou que o foco do movimento é a criação de uma estrutura mais moderna e eficiente para a Polícia Civil.
“Esse ato é histórico. Os dois sindicatos, que representam escrivães e investigadores, estão unidos para que a Polícia Civil saia mais forte, com a criação do cargo de oficial investigador de polícia — fruto da junção das duas funções iniciais. Estamos cobrando o cumprimento da Lei Federal nº 14.735, que prevê essa transformação. O decreto estadual não é o foco hoje; nossa prioridade é uma reestruturação salarial compatível com as demais carreiras de nível superior do Estado”, afirmou.
Entre os participantes, a escrivã Rogéria Maria Alves Silva, da Delegacia de Feitos Gerais de Cuiabá, com 24 anos de profissão, destacou o sentimento de união e a importância do reconhecimento das categorias.
“É um ato histórico, com a união dos dois sindicatos em busca de melhorias. Espero que o governo olhe de maneira diferente para as duas categorias e reconheça a essencialidade das funções, que estão prestes a se transformar em uma só. A investigação não existe sem o trabalho conjunto de escrivães e investigadores”, destacou Rogéria.
O movimento teve caráter pacífico e representou um importante passo na luta por reconhecimento, equidade e valorização dentro da estrutura da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso.
Além de policiais de diversas cidades do estado, também participaram do ato a presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (Fessp-MT), Carmem Machado, e o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), Rosenwal Rodrigues, que reforçaram apoio à causa.
Itimara Figueiredo